Raízes históricas
A primeira referência escrita acerca da freguesia encontra-se num documento medieval, ainda anterior à fundação da nacionalidade. É um documento de doação de ano de 924 onde aparece a "villa" de Soutelo. É uma doação feita à Igreja e Mosteiro de S. Martinho, fundado no século X, pelo abade Donâni e pela devota Létula, responsáveis também por esta doação ao citado mosteiro que teria existido no território de Cambra.
Publicado: Terça-feira, 17 Maio, 2005
Muito provavelmente constituída como paróquia rural nos primórdios da nacionalidade encontramos referências à Igreja de Rôge no "Rol das Igrejas de Padroado Régio do Bispado de Coimbra" , datado de 1229, mas com a indicação de que se reporta ao ano de 1209, reinado de D. Sancho I, onde surge mencionada a Igreja de Sanctus Salvator de Regy.
Incluída no Julgado Medieval de Cambra, surge mencionada nas Inquirições de D. Dinis, no século XIII, onde se refere que "na paróquia do Salvador de Rôge, havia "a quintã de Vila Nova, que honrava toda a aldeia, com os lugares de Santa Cruz de Jusã (de Baixo) e de Santa Cruz de Susã (de Cima) e Paço do Chão, era de mosteiros e do filho-de-algo Fernando Afonso, provavelmente da linhagem dos "de Cambra", ou seja descendente de Afonso Anes, o primeiro a ser chamado "de Cambra". Esta família uniu-se mais tarde á estirpe dos Pereiras, senhores de Santa Maria, de que saíram os Condes da Feira.

Igualmente nas citadas Inquirições de 1290 é mencionado o Casal Daron, que era herdade da Ordem do hospital e do Mosteiro de Cucujães, a aldeia de Rogy que era herdade da Ordem de Avis, de mosteiros, de igrejas e de herdadores, pagando também fossadeira á Coroa; sendo no mais honrado por fidalgos, filhos e netos de Nuno Peres. Também Sandiães era honra que então abrangia os lugares de Soutelo e Pedre e bens de mosteiros, igrejas e nobres, com referência especial á "quintã" que havia sido de João de Cambra e de Fernão de Cambra, fidalgos que pertenceriam á estirpe dos "de Cambra".
No Foral de Cambra doado por D. Manuel I á vila de Macieira de Cambra em 10 de Fevereiro de 1514 aparecem referências aos lugares de Paço de mato e da Quinta de Vila Nova, bem como a Estaço de Fuste e a Gonçalo Domingues, também de Fuste.
Em 1527 no Cadastro da Beira, que é a primeira tentativa de recenseamento da população portuguesa, existiam em Rôge cinquenta casais e cita-se, em referência excepcional, a Póvoa de Vila Nova, que foi honra e quintã dos Condes da Feira e que possuía dezoito casais.

Como outras localidades desta região, a antiga freguesia do Salvador de Rôge, no termo da vila de Cambra, pertenceu durante séculos, ás Terras de Santa Maria, vastíssimo e rico território cuja jurisdição tinha por sede o Castelo da Feira, fortificação cujas origens remontam ao período da Reconquista Cristã. Igualmente, esta freguesia passou a pertencer ao senhorio dos Condes da Feira, quando as Terras de Cambra foram doadas a Fernão Pereira , pai de Rui Pereira, 1.º Conde da Feira. Com a extinção desta família, por morte de D. Fernando, 8.º Conde da Feira, em 1700, passaram estas terras para a Casa do Infantado onde se mantiveram até à sua extinção em 1834, com o advento do Liberalismo.
Embora em grande parte pertença dos Condes da Feira, as Ordens Religiosas continuaram a possuir aqui os sues bens e interesses, pelo que o Mosteiro de Grijó surge como foreiro de um casal, o Casal da Videira, em finais do século XVI e a Igreja de Macinhata da Seixa era detentora de foros e dízimos, em 1664.
Juridicamente da Comarca de Esgueira em 1527, passou sucessivamente para as comarcas de Estarreja em 1839, de Arouca em 1852 e de Oliveira de Azeméis em 1874. Na actualidade pertence à Comarca de Vale de Cambra, desde a sua criação em 1980, pelo decreto-lei n.º 87 de 14 de Abril.
Foi do Concelho de Macieira de Cambra e do de Oliveira de Azeméis, das vezes que o primeiro foi suprimido e anexado ao segundo, primeiro a 10 de Dezembro de 1867 e depois a 21 de Novembro de 1895. Hoje é uma das nove freguesias do Concelho de Vale de Cambra, criado pelo decreto 12.976 de 31 de Dezembro de 1926, que extingue o Concelho de Macieira de Cambra e cria o novo concelho de Vale de Cambra ,transferindo a sede para o lugar da Gandra, na freguesia de Vila Chã.

