Artesanato
O artesanato típico foi desaparecendo do quotidiano familiar devido às mudanças de usos e costumes da população local. O cultivo do linho, o uso dos teares caseiros onde se tecia o bragal de uma família e, onde se faziam as varas de linho ou o fabrico do pão, vão desaparecendo do quotidiano rural, o mesmo acontecendo com as indústrias caseiras relacionadas com o cultivo da terra, como seja o desactivar dos moinhos para a moagem do milho, dos alambiques, para o fabrico da aguardente ou dos lagares para o vinho.
Publicado: Segunda-feira, 16 Maio, 2005
Contudo em Rôge a tradição artesanal ainda está presente em Sandiães, numa especialidade exclusiva de poucas famílias que a ela se dedicam por tradição. É o fabrico de foguetes e fogo-de-artifício, actividade centenária que tornou famosos dentro e fora do concelho os pirotécnicos, vulgarmente conhecidos por fogueteiros. Esta indústria aparece mencionada no Inquérito Industrial de 1890, referenciando-se a existência de 3 unidades, com um total de 9 trabalhadores.
Antiquíssima actividade artesanal inclui-se no grupo das chamadas artes de festa porque a utilidade dos artefactos produzidos se destina a alegrar os momentos de festa. Tanto quanto se sabe, esta arte veiou do Oriente, no tempo dos Descobrimentos, fruto da aprendizagem pelos, nossos marinheiros, dos usos e costumes dessas longínquas paragens. Sendo vastos os conhecimentos orientais sobre a pirotecnia, com eles se aprendeu a fazer fogo do ar (ou solto), preso e aquático, adquirindo-se todos os conhecimentos para lhe dar cor, produzir fugidias estrelas cadentes, criar combinações de lágrimas com flores ou policromas harmonias de efeitos. Mas muito pouco se sabe sobre esta arte, feita de segredos passados de geração em geração, pois que, por tradição a pirotecnia é uma actividade familiar.
E assim acontece em Sandiães, onde ao longo de mais de um século sucessivas gerações se têm dedicado a esta actividade. Em 1942, na monografia de Martins Ferreira podemos encontrar diversos anúncios a esta actividade: a fábrica de fogos de artifício de Justino de Almeida Maurício; a oficina de fogo de artifício de António Augusto de A. Maurício e os pirotécnicos Silvas & Almeidas.
Oficina de Pirotecnia
Também do início do século, a 2 de Julho de 1912, foram apresentados três requerimentos á Administração do Concelho para a instalação de oficina de pyrotechnia (fábricas de fogo de artifício), na freguesia de, lugar de Sandiães.
Os requerentes foram: António Augusto de Almeida Maurício, Joaquim de Almeida Maurício e Domingos Soares de Almeida, irmãos ao que nos parece.
A exposição (única) enumerava, entre o material a utilizar, enxofre, carvão, goma, nitrato de soda, bicarbonato de soda e fio de vela. No documento constava ainda referência ao local da oficina: (...) o local da oficina é nos limites do referido lugar de Sandiães, completamente isolado(...)
Nesta freguesia, a existência de actividades artesanais prendia-se com o ramo pirotécnico, onde desempenhava funções Hermínio de Almeida, Fabricante de fogo de artifício e foguetes.

